terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A primeira voluntária no Exército Brasileiro

Admiro muito mulheres que independente de suas concepções políticas e/ou ideológicas, romperam barreiras e assumiram posições reservadas exclusivamente ao mundo masculino. Vejam o caso de Elza Cansanção Medeiros, ou simplesmente, major Elza, que faleceu esta semana aos 88 anos. Major Elza foi a primeira mulher a alistar-se como voluntária na Diretoria de Saúde do Exército na segunda Guerra Mundial. Na verdade, ela sonhava em seguir na linha de frente, mas na época o Exército Brasileiro não aceita mulheres combatentes. Seguiu, então, como enfermeira no Destacamento Precursor de Saúde da FEB. Ela aprendeu a pilotar ultraleves aos 60 anos de idade e também escreveu vários livros sobre sua participação na guerra, tornando-se a mulher mais condecorada Brasil.

Nossa singela homenagem!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Campanha pra lá de importante


Essa é a campanha do blog Corporativismo Feminino (www.corporativismofeminino.com) do qual sou uma fiel seguidora.
Atinge em cheio as mulheres.
A-do-rei!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Irede Cardoso: uma feminista de verdade


Em nossa sessão retrô, nosso blog faz uma justa homenagem à jornalista Irede Cardoso, falecida em 2000, aos 62 anos. Irede foi uma das mais aguerridas feministas do País. Trabalhou na Folha como repórter e editora de Educação. Integrou a equipe de articulistas do jornal e assinava a coluna "Feminismo". Também foi editora do programa "TV Mulher", da Rede Globo. Vereadora por dez anos, eleita em 1982 e reeleita em 1986 pelo PT, ela deixou o partido em abril de 1990, passando para o PV e filiando-se ao PMDB em janeiro de 1992. Em 1995, aderiu ao PPB a convite do então prefeito Paulo Maluf, embora tenha liderado o movimento "Maluf Nunca Mais" cinco anos antes. Sua passagem pela imprensa e pela Câmara Municipal sempre foi marcada pela militância e pela polêmica.No início dos anos 80, entre outros grupos, Irede integrou o Pró-Mulher e a Frente das Mulheres Feministas.Entre seus vários livros, a jornalista lançou em 1981 "Os Momentos Dramáticos da Mulher Brasileira" (Global), uma espécie de história da mulher no Brasil. Publicamos o jornalzinho da mandato parlamentar, quando era vereadora pelo PV. Nossas saudosa homenagem a essa guerreira.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

As dificuldades continuam...

Quem disse que a mulher se libertou do domínio masculino, engana-se. Leia-se os últimos números da violência da SPM, que alcança a estratosférica marca dos 1000% de casos registrados, nos últimos quatros anos.
Essa violência, ao meu ver, ainda é subliminar, e encontra coro no modo como as mulheres são tratadas e deixam-se tratar, adotando a ´agenda masculina`como sua ou sendo mera coadjuvante dela.
Quem, como mãe solteira ou descasada, nunca passou por situações constrangedoras ou foi tratada com desprezo ou preconceito sexista por amigos, vizinhos ou homens que mal conhecem? Quantas mulheres têm coragem de ir sozinha a um bar, sentar num balcão, simplesmente para relaxar ou tomar uma cerveja, sem o receio de receber uma cantada barata ou ser importunada?
Infelizmente, esse incômodo tão sutil, disfarçado, ainda existe, por mais que o discurso da modernidade e do século XXI venham inundar os nossos ouvidos... meros discursos, palavras vãs.
Ainda somos invadidas em nossa intimidade e nos nossos direitos, arcamos com o maior responsabilidade com os filhos e cerceamos, por conta própria, nossa liberdadede de ir e vir. Somos obrigadas a ouvir frases do tipo ´tem mulher que gosta de apanhar`ou ´é melhor trabalhar com homens, são menos complicados`.
Contudo, vejam bem, nossa vida continua servindo para descomplicar a vida deles.
Cadê o projeto da guarda compartilhada, eu nunca mais ouvi falar e muito menos conheço algum casal que tenha adotado esse regime? Afinal, o que nos faz consentir em ainda sermos tão massacradas, ficando presas ao discurso da beleza, ao medo de ficar sozinha, solteironas, grisalhas? De voltar pra casa correndo pro marido não ficar sozinho, de deixar de planejar a nossa vida por causa do casamento, carregando culpas, culpas e mais culpas...
Mas cá entre nós, somos nós que criamos essas amarras?

A violência contra a mulher ainda assusta

Na quarta passada, a SPM divulgou o balanço da Central de Atendimento à Mulher, com dados do Ligue 180. O balanço apontou que, de abril de 2006 a outubro de 2009, foram registrados 791.407 atendimentos. Em quatro anos, o aumento no número de registros foi de (pasmem!) 1.704%.
No mesmo dia, a ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) e o ministro da Saúde, José Gomes Temporão lançaram a campanha institucional Uma vida sem violência é um direito de todas as mulheres, realizada pela SPM em parceria com o Ministério da Saúde.
A ministra também fez um balanço dos quatro anos de funcionamento da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180. Com spot de rádio, vídeo, cartazes, folders e peças para mobiliário urbano (como paradas de ônibus), a campanha nacional busca quebrar as barreiras do medo de falar sobre a violência, incentivando as vítimas a ligarem para a Central, que também passa, a partir de agora, a funcionar por meio da tecnologia VOIP - Transferência Direta de Chamadas –, permitindo sistematizar automaticamente os dados das chamadas recebidas (data, local de origem, hora e duração da chamada).

Confira, a seguir, os altos números da violência contra a mulher em nosso País:


Denúncias : 93% delas são feitas pela própria vítima; 78% das vítimas sofrem crimes de lesão corporal leve e ameaça; 50 % dos agressores são os cônjuges das vítimas; 77% das vítimas possuem entre 00 e 02 filhos; 69% das vítimas sofrem as agressões diariamente; 39% dos agressores não fazem uso de substâncias entorpecentes ou álcool; 34% das vítimas se percebem em risco de morte; e 33% das vítimas apresentam tempo de relação com o agressor superior a 10 anos.

Tipos de violência - Dos 86.844 relatos de violência, os agressores são, na sua maioria, os próprios companheiros. Do total desses relatos, 53.120 foram de violência física; 23.878 de violência psicológica; 6.525 de violência moral; 1.645 de violência sexual; 1.226 de violência patrimonial; 389 de cárcere privado; e 61 de tráfico de mulheres. Na maioria das denúncias/relatos de violência registrados no Ligue 180, as usuárias do serviço declaram sofrer agressões diariamente.

Perfil - A maioria das mulheres que buscam a Central são negras (43,3%), tem entre 20 e 40 anos (56%), estão casadas ou em união estável (52%) e possuem nível médio (25%).

Atendimentos em 2009 - De janeiro a outubro, a Central de Atendimento à Mulher contabilizou 269.258 registros – um aumento de 25% em relação ao mesmo período de 2008 –, quando houve 216.035 atendimentos. Parte significativa do total de atendimentos (47%) deve-se à busca por informações sobre a Lei Maria da Penha que registrou 127.461 atendimentos contra 92.638, de janeiro a outubro de 2008. O crescimento corresponde, de um semestre para o outro, a 37%. Em números absolutos, o estado de São Paulo é o líder do ranking nacional com um terço dos atendimentos (87.457), que é seguido pelo Rio de Janeiro, com 12,57% (33.844). Em terceiro lugar está Minas Gerais com 6,7% (18.216).

domingo, 29 de novembro de 2009

Estréia da TV Mulher


Com a estréia do primeiro programa feminino da TV brasileira em 1980 (bem diferente desses arremedos de receitas e estética que somos obrigados a engolir nas tardes de hoje) relembramos que naquela época os nossos problemas ainda eram os mesmos: discriminaçao no trabalho, legalização do aborto, necessidade de creches e divisão do trabalho doméstico. No programa de estréia, essa lista foi lida de maneira muito incisiva pela apresentadora Marília Gabriela (foto).
O programa, dirigido por Nilton Travesso, era levado ao ar pela manhã, de segunda a sexta-feira, e teve seis anos de duração. Contava ainda entre os seus quadros de apresentadores nomes como Marta Suplicy, Nei Gonçalves Dias (in memorian), Leiloca, Ala Szerman, Hildegard Angel, Clodovil, entre outros.

Em pleno regime militar, em um Brasil dominado pelo conservadorismo, a sexóloga Martha Suplicy sofreu muitos protestos por falar, em pleno dia, sobre orgasmo feminino e por repetir a palavra vagina. Era época do "politicamente incorreto", e claro, o nosso representante maior dessa linha, o estilista Clodovil Hernandez, - falecido este ano - resolveu abandonar o programa em pleno ar, protestando contra a apresentadora Marília Gabriela. Viria a substituí-lo como "costureiro" do programa outro estilista, Nei Galvão.

Lembro-me bem do programa e da revolução que causou, principalmente no que se refere a direitos e sexualidade feminina. Engraçado é que embora temas como estética e moda fossem levados diariamente ao ar pela consultora Ala Szerman, estes eram tratados de uma maneira mais espontânea, sem a pressão que a ditadura da beleza nos impõe hoje. Ser mulher significava muito mais do que passar longas sessões no cabeleireiro fazendo chapinha.
Mas, afinal, o que será que está acontecendo com as mulheres de hoje?

sábado, 28 de novembro de 2009

Vamos apoiar jantar pró-Erundina

Vamos comprar convites, apoiar, divulgar de todas as formas, convidar os amigos, mobilizar-nos, enfim, para obter a máxima adesão ao jantar suprapartidário marcado para o próximo dia 08, na Cantina Speranza (Rua 13 de Maio, 1004 - Bela Vista) em apoio à ex-prefeita paulistana, deputado Luiza Erundina (PSB-SP). O evento, programado pelo deputado estadual paulista Milton Flávio (PSDB), mas que, como frisei acima, ganhou a adesão de todos os partidos, é para arrecadar fundos que possibilitem a ex-prefeita liquidar sua dívida no valor de R$ 350 mil com a prefeitura da Capital.
O débito é resultado de uma condenação pela 1ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo por Erundina ter pago publicações com esclarecimentos sobre a greve geral de 1989. O material impresso esclarecia à população porque naquele dia de reve geral os ônibus da então CMTC, empresa da Prefeitura, não circulariam.
Embora decisão judicial não se comente, cumpre-se, a Erundina não merecia essa condenação, mas merece toda a solidariedade de parte de todos nós. Ela precisa quitar logo essa dívida, inclusive porque tem 10% de seu salário retido no banco mensalmente e está com seus únicos bens, o apartamento em que mora e um carro, penhorados. Para reforçar a arrecadçaão e a gente tranquilizá-lo logo, publico aqui no blog, para os que desejam contribuir, o contato do escritório dela (011) 5078-6642 e também o nº da conta no Banco do Brasil, aberta em nome do movimento “Luiza apoio você”: (Ag.BB nº 4884-4, conta corrente 2009-5).

Fonte: Blog do Zé

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Solidariedade à Rosa da Fonsêca

Pedro Albuquerque, especial para o Blog "Donas de Si"

Realizou-se hoje pela manhã, no Comitê de Imprensa da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará, por iniciativa da Associação de Anistia 64-68, reunião de várias pessoas e entidades com o objetivo de prestar solidariedade à Rosa da Fonsêca e a outros membros do movimento Crítica Radical (CR) que, presentes à sessão de julgamento do pedido de extradição do militante de esquerda italiano Cesare Battisti, foram violentamente expulsos do recinto do STF por expressarem sua posição a favor do extraditando.
Pessoas das mais diferentes posições políticas e ideológicas, algumas, inclusive, a favor da extradição, uniram-se num só propósito : o da defesa da liberdade de expressão do pensamento assegurada a todos os cidadãos pelo art. 5o., inciso IV, da CF/88 e uma das mais preciosas conquistas da tradição democrática universal. A expulsão da Rosa e de outros membros do movimento CR, conduzida por uma instituição cuja função principal é a de servir de guardiã da Constituição Federal, representou uma flagrante lesão constitucional. Ademais, a TV Justiça não noticiou o acontecimento, diferentemente de como procederam outros meios de comunicação, fato que revela um ambiente de censura interna.
Esse nefando ato contra a liberdade de expressão do pensamento por parte do STF é um indício de que, sob a Presidência do Ministro Gilmar Mendes, dissemina-se uma tendência nociva ao exercício da democracia, qual seja a instauração lenta e gradual de uma ditadura do Judiciário, tal como aventou o o Ministro Marco Aurélio quando da leitura de seu voto contra a extradição de Cesare Battisti. Dessa forma, a solidariedade manifestada na manhã de hoje acenou para um campo de ação cívica bem mais abrangente, alcançando a discussão sobre a judicialização da política, uma vez que o STF tem, seguidas vezes, muitas das quais por pedidos oriundos de certos setores da sociedade, invadido competência legislativa, violando, assim, o princípio da separação de poderes e se constituindo em «legislador negativo».
A agressão perpetrada no recinto do STF à Rosa e seus companheiros e companheiras será debatida na reunião ordinária da Comissão de Direitos Humanos da Assembléeia Legislativa, sob a Presidência do Deputado Heitor Ferrer, na terça-feira próxima, dia 1o. de dezembro.
Dentre os presentes ao ato de solidariedade encontravam-se, além de Rosa da Fonsêca e sua família, a ex-Prefeita de Fortaleza, Maria Luiza Fontenele, o Deputado Heitor Ferrer, Mário Albuquerque e Messias Pontes, presidente e vice da Associação 64-68, respectivamente, a sra. Maria de Lourdes Miranda de Albuquerque, o poeta Barros Alves, o compositor e cantor Pingo de Fortaleza, o radialista Francisco Bezerra, o advogado Arnaldo Fernandes, representando o vereador João Alfredo, e presidentes de sindicatos e entidades comunitárias.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Sessão Retrô - Malu Mulher


Quem viveu na década de 70 lembrará com certeza do seriado exibido pela TV Globo, "Malu Mulher", dirigido por Daniel Filho, que estreou na TV Globo no dia 24 de maio de 1979 e tinha a atriz Regina Duarte no papel principal. Ela, que encenava a famosa socióloga Malu (pra quem quiser ver, os vídeos estão lá embaixo no blog, na barra de rolagem do YOU TUBE) que passava por uma separação e tinha que se virar sozinha para trabalhar e criar a filha.
A música de abertura (linda, por sinal) "Começar de Novo", foi criada por Ivan Lins especialmente para a abertura da série.
O seriado causou rebuliço e rendeu puxões de orelhas da ditadura, por abordar temas "ousados" como separação, orgasmo, aborto, pílula... hoje, segundo uma amiga blogueira, mostraria-se tão ingênuo que não chamaria atenção nem na Sessão da Tarde rsrsrs!.
Lembro-me bem que crianças, como eu, não podiam assistir, pois além de tratar de temas de conteúdo sexual, era exibido em um horário em que os pimpolhos já estavam na cama há muito tempo. Hoje, a garotada de sete anos, oito anos assiste a novela das oito, (muito mais picante), sem nenhum susto.
Volto pra garimpar outros vídeos da época, nessa seção Retrô. Afinal, recordar é viver.... E aliás, apesar de todas as conquistas, a cobrinha do conservadorismo sempre põe a cabeça de fora!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Solidariedade à Rosa da Fonseca


A seguir, publico a nota de solidariedade divulgada pelo jornalista Messias Ponte, vice-presidente da Associação 64/68 Anistia Ceará, sobre o episódio lamentável envolvendo a companheira Rosa da Fonseca, professora, militante do Movimento Crítica Radical em Fortaleza, mulher de grande vitalidade na luta pela emancipação feminina e os direitos humanos.
Conheço Rosa pessoalmente e respeito-a muito, pela sua coerência e coragem de assumir suas posições.
Nosso blog repudia veementemente a agressão sofrida por Rosa, principalmente, nas barbas do STF , lugar onde deveriam ser preservadas a integridade e a dignidade dos cidadãos brasileiros.


Companheiros(as)
Já dizia Che Guevara que aquele que não tem a capacidadede se indignar com a injustiça, em qualquer parte do mundo, este não merece ser chamado comnpanheiro.

O que aconteceu na última quarta-feira em Brasília, durante o julgamento do italiano Cesare Battisti, merece o repúdio de todas as pessoas comprometidas com a democracia e justiça. O grande jurista Dalmo Dallari já chamava a atenção do Senado Federal e da sociedade brasileira para o perigo que a democracia correria caso o então advogado-Geral da União fosse integrar os quadros do Supremo Tribunal Federal.

A maneira como a companheira Rosa da Fonseca foi tratada na ocasião merece o repúdio de todos nós, independente de concordarmos ou não com as posições dela. Ela foi jogada ao chão, na calçada do STF, como se joga uma coisa imprestável.
Por isto, estamos conclamando a todos(as) para comparecer ao Comitê de Imprensa da Assembléia Legislativa, nesta quinta-feira 26 de novembro, às 10 hs da manha, para prestar solidariedade a ela durante a coletiva de imprensa que acontecerá ali.

Fraternal abraço,
Messias Pontes
Vice-presidente da Associação 64/68 Anistia Ceará