terça-feira, 1 de julho de 2008

Audiência Pública discute lei do aborto no Brasil

Gente, recebi esse informe da Marcha Mundial das Mulheres e gostaria de compartilhar com todas, pela urgência do assunto. Na 4a e 5a feira desta semana haverá uma audiência pública de grande importância no Congresso Nacional sobre a lei do aborto no Brasil: o PL 1135, que defende a criminalização.

Como convidados para esta audiência pública estão especialistas, representantes da Igreja Católica, do Ministério Público, Judiciário e sociedade civil.Um grupo de pessoas convidadas à audiência que defende o direito à autonomia reprodutiva e a laicidade do Estado brasileiro, elaborou o documento anexo intitulado "Resposta da sociedade brasileira ao parecer do relator Eduardo Cunha".

O documento defende a garantia da laicidade do Estado brasileiro, o reconhecimento da liberdade de pensamento e expressão, além do direito das mulheres à autonomia reprodutiva. É breve, porém apresenta uma resposta às proposições do relator.

A Marcha está buscando de assinaturas de apoio a esta posição. Por favor, nos ajudem a divulgá-lo em suas listas. A assinatura deve ser feita no seguinte site:http://www.petitiononline.com/CCJ1135/petition.html
Para conhecer o parecer do relator acesse:
http://congressoemfoco.ig.com.br/UserFiles/Image/Parecer_PL_1135.pdf

É preciso que um assunto dessa natureza, que interessa a todas as cidadãs brasileiras, esteja na pauta do dia, (mesmo diante de posições contrárias) e não em segundo plano, como costuma ficar tudo o que diz respeito às políticas públicas para as mulheres.

sábado, 31 de maio de 2008

Maria da Penha: sua luta não pode parar

Queria registrar aqui o falecimento da companheira Maria da Penha, do Movimento de Mulheres do PT e uma incansável militante do movimento de combate ao racismo. Maria da Penha era coordenadora do "Fala Negão/Fala Mulher e integrava a Secretaria Municipal de Mulheres do PT/SP.
A seguir, um pouco da trajetória dessa guerreira. Porque a luta dessas Marias não pode deixar de ser contada por outras Marias que prosseguirão a sua luta!

Nasceu em 23 de Novembro de 1948.

Morou em vários bairros, mas foi no Bairro de Guaianazes, onde seus pais compraram um terreno e construíram uma casa própria onde passou a vida e construiu sua historia.

Costureira aposentada, art-educadora, fez parte da assessoria de Projetos Sociais da subprefeitura de Itaquera no governo da Companheira Marta Suplicy.
Maria da Penha, não nega a raça. Mãe de três filhas: Ana Célia Minuto de Campos 32 anos, Lucinete M. Campos 28 anos e Elizabete M. de Campos 27 anos, Penha começou a construir sua história ainda pequena, acompanhando o irmão mais velho nas festas, bailes e rodas de tiririca, quando era desafiada a entrar nas Rodas de Samba, não deixava por menos mostrando muito Samba no Pé e o gingado da raça Negra.

Sua contribuição cultural começou na Escola de Samba Estrela de Prata de Poá, como passista, reconhecendo seu talento, foi convidada pelo amigo e sambista Gilson para desfilar na Escola de Samba Falcão do Morro Itaquerense na década de 70 onde logo se tornou "Rainha da Bateria" cargo que ocupou por muito tempo, pois era difícil desafiá-la.

Nos anos 80, fundou junto com outros companheiros e companheiras a Escola de Samba Leandro de Itaquera, onde assumiu vários cargos: Diretora social, Tesoureira, fundadora do departamento feminino, compositora, destaque e Presidiu a direção de harmonia da "escola", sendo a primeira mulher a ocupar este cargo no "Samba Paulistano", atualmente era "diretora de carnaval da entidade".

Foi fundadora e idealizadora, junto com o companheiro Gilson Negão do grupo cultural "Oduduwa" na decada de 90 que originou o Grupo Cultural "Fala Negão/Fala Mulher" da Zona Leste de São Paulo, pois sentiam a necessidade de se discutir com mais profundidade a questão "racial" na região, tornando-se referência no tema. Fez parte do Comitê de recepção ao "Nelson Mandela" quando o mesmo esteve no Brasil.
Foi uma das fundadoras do Comitê de Ação da Cidadania Contra a Fome e a Miséria na Zona Leste, (Campanha do Betinho) tornando-se depois diretora da "Ação da Cidadania de São Paulo”.
Neste período, Maria da Penha filiou-se ao Partido dos Trabalhadores, dedicando-se totalmente a construção do setorial de Negros e Negras hoje secretaria de Combate ao Racismo, participou do Coletivo da Secretaria de Mulheres, priorizando a organização de Mulheres Negras. Como militante atuava no Fórum de Mulheres Negras, Marcha Mundial das Mulheres e Rede mulher contra violência da Zona Leste.

Pela "Fala Negão" a companheira representava a entidade nas seguintes parcerias: Corrente Viva Secretaria Municipal da Saúde, Coordenadoria da Mulher, Rede Leste Contra a Violência da Mulher, Rede social Itaquera - SENAC, Agente cidadão, R.M.E. Fórum de Mulheres Negras, Rede Solidária de Itaquera, Rede Mulher de Educação entre outras.

Sabedora da gravidade de sua doença, "Câncer de Mama" não se abateu, pelo contrario, intensificou suas ações em realizar trabalhos de prevenção em "saúde da mulher", pois sabia que não tinha muito tempo, em reuniões preparava as pessoas para dar continuidade as tarefas que estavam por fazer, na sua ausência queria saber quem iria assumir as funções, queria passar o bastão, não aceitava choradeiras sobre sua situação, cobrava e designava função para todos e todas.

Em uma das ultimas reuniões de organização que participou da sua entidade, a Sociedade Comunitária "Fala Negão/ Fala Mulher", alguém menos desavisado perguntou-lhe se aquela reunião era para saber quem iria ficar em seu lugar, Penha reagiu com firmeza, "Epa! No meu lugar, ninguém fica!" o que quero saber é quem vai cumprir as tarefas que temos pela frente, finalizou.
(Fonte: Secretaria Municipal de Mulheres do PT)

terça-feira, 27 de maio de 2008

Saúde Feminina ganha maior espaço no blog

A jornalista de saúde Luciana Veríssimo, da revista Âmbito Farmacêutico, é a mais nova colaboradora do blog "Donas de Si". Ela vai abordar assuntos relacionados à saúde da mulher, com foco na prevenção e no que há de mais moderno no tratamento de diversas doenças. Nessa primeira postagem, o destaque é para a importância da higiene íntima e para um dos males que mais atormenta a mulher moderna: a tenebrosa TPM!!! Boa leitura!

Medicina & Saúde: Saúde Feminina

Há um crescimento visível da importância do papel da mulher na sociedade. Isso se reflete não só no comportamento, mas no consumo de informações e de produtos. Pensando nisso, a revista Âmbito Farmacêutico traz uma matéria que aborda alguns dos principais problemas que afligem a mulher moderna. Aproveite as informações para esclarecer as dúvidas de suas clientes

Higiene íntima

A vagina e a vulva (conhecidas popularmente como "partes íntimas") compõem o conjunto dos órgãos genitais da mulher. Com um formato cilíndrico, a vagina é a parte interna da região pélvica, que além de servir como passagem para bebê na hora do parto, também recebe e acomoda o pênis durante o ato sexual.
A vulva corresponde à parte externa dos órgãos genitais. Estão localizados na vulva: o monte pubiano (aquele dos pelos), o clitóris e o seu capuz (órgão sexual mais sensível da mulher), abertura da uretra (logo abaixo do clitóris), entrada da vagina, hímen (no caso das virgens), grandes e pequenos lábios.Uma higiene íntima adequada, com a utilização de produtos recomendados para este fim, é fundamental para manter estes órgãos livres de infecções.
A vagina já acomoda, naturalmente, uma série de microorganismos, que formam a flora vaginal. Os bacilos de Doderlein, por exemplo, são bacilos normais da vagina, que se alimentam de glicogênio, produzidos pelas células vaginais estimuladas pelos hormônios femininos. Estes bacilos produzem ácido lático, o que mantém a pH da vagina ácido para evitar a proliferação de bactérias causadoras de doenças.
Um descuido pode levar ao surgimento de doenças dos mais variados tipos. Secreções e corrimentos são normais, porém, tudo o que for em excesso merece uma atenção maior e o auxílio de um médico ginecologista.
Não é apropriada a utilização de talcos e perfumes, o que pode acarretar alergias e infecções. Outra dica importante é a priorização de calcinhas de algodão e evitar o uso de absorventes externos no dia-a-dia.
Atualmente, o mercado disponibiliza diversos produtos para cuidar da higiene íntima da mulher, como:
-Sabonetes íntimos: Possuem ação anti-séptica natural que impede a proliferação de microorganismos nocivos. - Mantém o pH natural da mucosa genital. Desodorantes íntimos
- Desodorante anti-séptico jato seco: Pode ser aplicado após a higiene íntima, quantas vezes for necessário.
- Lenços íntimos higienizantes: Especial para a pele sensível da região genital
- Lenços suaves e resistentes: repletos de ativos hipoalergênicos que conservam e restauram a microflora da pele. Para eliminar as impurezas da superfície e deixar os poros mais limpos.

Tensão pré-menstrual

A tensão pré-menstrual (conhecida pela sigla TPM) ou transtorno disfórico pré-menstrual é uma síndrome que atinge as mulheres e se caracteriza por inúmeros sintomas psíquicos e físicos. Geralmente, os sintomas da TPM aparecem desde quinze dias até um dia antes da menstruação (fase lútea) e desaparecem poucos dias após o início do ciclo. De acordo com um estudo inédito realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Centro de Pesquisa em Saúde Reprodutiva de Campinas (Cemicamp) com 860 brasileiras, com idade entre 18 e 35 anos, aproximadamente 80% das mulheres disseram que têm ou já tiveram TPM, sendo que em 95% dos casos foram atribuídos à síndrome pré-menstrual sintomas físicos e emocionais.
Causas
Muitas hipóteses tem sido aventadas a respeito das causas desta doença, mas, hoje em dia, o que parece prevalecer é que seja ocasionada por influências hormonais normais do ciclo menstrual, que interferem no sistema nervoso central. Parece haver uma íntima relação entre os hormônios sexuais femininos, as endorfinas (substâncias naturais ligadas à sensação de prazer) e os neurotransmissores, tais como a serotonina. É importante ressaltar que esta síndrome acompanha a ovulação normal da mulher.
Sintomas
Para muitas mulheres os sintomas da TPM são uma parte bastante desagradável de seus ciclos menstruais. Os sintomas mais comuns associados ao problema são: ganho de peso por retenção de líquidos, inchaço abdominal, sensibilidade e dor nos seios, tensão ou ansiedade, alterações de humor, irritabilidade ou raiva, mudanças de apetite e desejos por comida, dificuldades para pegar no sono e insônia, dores musculares e nas juntas, dor nas pernas, dor de cabeça, cansaço. Embora a lista de sintomas seja longa (mais de 200), a maioria das mulheres sente apenas alguns sintomas. Para algumas mulheres, as dores físicas e o estresse emocional podem ser severos a ponto de afetar sua rotina profissional e atividades de lazer e descanso.
Tratamento
Por se tratar de uma síndrome, não existem tratamentos específicos já que os sintomas variam muito de intensidade para cada mulher. Alguns estudos mostram que a vitamina B6 (piridoxina), a vitamina E, o cálcio e o magnésio podem ser usados com melhora dos sintomas. Outro medicamento é o ácido gamalinoleico, um ácido graxo essencial que pode ser encontrado no óleo de prímula. Como esta síndrome está ligada à ovulação, muitas mulheres podem se beneficiar com o uso da pílula anticoncepcional que suspende a ovulação. É possível encontrar pílulas anticoncepcionais que ajudam as mulheres a combater os sintomas da TPM e desejam uma anticoncepção hormonal. Também existe no mercado uma opção à base de cloridrato de sertralina (da classe dos antidepressivos). Esta molécula equilibra os níveis de serotonina no período pré-menstrual.
O melhor tratamento para a síndrome é o que, sozinho ou associado, reduza os sintomas. Deve-se lembrar que qualquer medicamento, mesmo "natural", só deve ser usado mediante prescrição médica. (por Luciana Veríssimo)
(Fonte: Revista Âmbito Framacêutico)

segunda-feira, 26 de maio de 2008

"Mulheres são burras", diz diretor do departamento penitenciário

Diretor do Depen (Departamento Penitenciário Nacional), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, Maurício Kuehne culpa as próprias mulheres pelo fato de 62% das presas do país não receberem nenhum tipo de visita social."Vou usar uma explicação simplista e que me perdoem as mulheres: é que as mulheres são burras", disse Kuehne, ao ser questionado pela Folha se há uma explicação para esse percentual."Elas [mulheres] vão visitar os homens [presos], mas, quando elas são encarceradas, os homens não vão visitá-las. É uma questão de cultura machista", completou.Segundo o diretor do Depen, o baixo índice de visitação nos estabelecimentos para mulheres influencia diretamente no dia-a-dia do estabelecimento. "Influencia, porque a pessoa que não tem essa relação familiar, sua agressividade vai cada vez mais se acentuando. E a dele também, o homem agressivo nos estabelecimentos penais é justamente por conta disso, de não ter o apoio familiar."Segundo ele, 80% dos homens presos recebem visitas sociais. "Os que não recebem é porque a penitenciária é distante, e a família não tem recursos [para o deslocamento]."No ano passado, o governo federal repassou R$ 210 milhões aos Estados, para ações específicas para o sistema penitenciário. Para 2008, estão previstos R$ 520 milhões. "[Esse valor] é um reconhecimento explícito, por parte do governo federal, de que precisa dar mais auxílio aos Estados. Só que esse auxílio ainda é pouco. Ele não vai resolver o problema carcerário dos Estados."Para a juíza Dora Martins, presidente do conselho-executivo da AJD (Associação Juízes para a Democracia), algumas burocracias também têm dificultado as visitas sociais às mulheres, como a exigência, em alguns estabelecimentos, de que as crianças estejam acompanhadas por aquele que tem a sua guarda. Um simples familiar, por exemplo, às vezes não é suficiente."Num domingo, na porta de uma penitenciária masculina e de uma feminina, você já percebe essa diferença. É um corte de gênero. Mas dentro da administração [penitenciária] há uma série de impedimentos. Elas [presas] se queixam de não receber a visita das crianças [filhos]", afirma a juíza Martins.
Fonte: Folha de São Paulo - 26/05/2008

Apenas 9% das presas têm visita íntima

Um raio-X nos estabelecimentos penais femininos do país revela que 62% das mulheres presas não recebem visitas sociais. O isolamento é ainda mais nítido em visitas íntimas: apenas 9% das presas recebem esse tipo de visita. Segundo o governo federal, o quadro nos estabelecimentos penais masculinos é bem diferente. Neles, o índice de presos que não recebem visitas sociais é de 20% -uma diferença de quase 70% em relação às mulheres presas.Os dados sobre as mulheres encarceradas constam de recente levantamento do Depen (Departamento Penitenciário Nacional), órgão vinculado ao Ministério da Justiça e que reuniu os dados a partir de questionários respondidos pelos governos estaduais. Segundo o documento "Mulheres Encarceradas - Diagnóstico da Realidade", hoje, 70% dos estabelecimentos penais (mistos ou exclusivos de mulheres) no país permitem a visita íntima."A visita íntima ainda passa pelo preconceito, por ainda termos uma sociedade muito machista. O homem talvez se sinta envergonhado de visitar a mulher e ter com ela um relacionamento íntimo na prisão, enquanto as mulheres vão [aos presídios] e se casam com os homens", afirma a juíza Dora Martins, presidente do conselho executivo da AJD (Associação Juízes para a Democracia)."Quando a mulher entra no presídio, é mais ou menos como assinar um divórcio. Os homens não são tão fiéis como as mulheres", diz o padre Günter Zgudic, coordenador da Pastoral Carcerária Nacional.Há, hoje, cerca de 27 mil presas no Brasil, distribuídas em 508 estabelecimentos penais, sendo 58 deles exclusivos para as mulheres. Na maioria dos estabelecimentos, a situação é precária: só 27% deles contam com celas especiais para o isolamento da presa (o chamado "seguro") -como o ocupado, hoje, por Anna Carolina Jatobá na penitenciária feminina de Tremembé (interior de SP).Ainda segundo o relatório do Depen obtido pela Folha, 35% dos estabelecimentos com mulheres têm médico de plantão; 25%, atividades educacionais; 19%, berçário; e 16%, creches."Lamentavelmente, não há a observância da Lei de Execução Penal, e os Estados, parece, fazem questão de ignorá-la. Os estabelecimentos penais, como regra, não são dotados dos requisitos contidos na lei", afirma o diretor do Depen, Maurício Kuehne. "O quadro, como um todo, é triste. Chegamos a um ponto em que o quadro atual não pode persistir, precisa ser melhorado."O que acontece muitas vezes, segundo o governo, é que presídios construídos para homens são desativados e, depois, transformados em locais para abrigar mulheres -ou seja, sem a estrutura adequada às necessidades femininas."O quadro é caótico. As mulheres [presas] são afastadas dos filhos. A maioria das unidades prisionais aparta a criança da mãe como um bicho da fêmea. Essa criança é colocada num abrigo, e a mãe nem sabe onde ela está", diz Elisabete Pereira, diretora da Subsecretaria de Articulação Institucional e Ações Temáticas da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. "Não há tempo de preparar a separação ou para que a mãe acione alguém da família para assumir essa criança."Para minimizar tal quadro, a União passou a condicionar o repasse de verbas aos Estados às contrapartidas desses governos ao Plano Diretor do Sistema Penitenciário. Nele, há 22 metas para curto, médio e longo prazos -como assistência à saúde e à educação e profissionalização de presos e presas.O levantamento do Depen também identificou um perfil das mulheres presas semelhante ao dos presos: 60% delas são negras (contra 55% dos homens e de 49% da população total negra do país), 27% têm entre 18 anos e 24 anos (contra 31% dos homens) e 44% possuem o ensino fundamental incompleto (40% dos homens). (Eduardo Scolese, da sucursal de Brasília)
Fonte: Folha de São Paulo - 26/05/2008

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Aprovada a guarda compartilhada de filhos

A Câmara dos Deputados aprovou ontem, por unanimidade, projeto que inclui no Código Civil a opção de guarda compartilhada de filhos de pais separados. Atualmente, apesar de o sistema já existir na prática, o código estabelece apenas a guarda unilateral, na qual o filho fica com a mãe ou com o pai.Pelo projeto, que segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando não houver acordo entre os pais quanto à guarda do filho, será aplicada, sempre que possível, a guarda compartilhada.A proposta diz que a guarda compartilhada poderá ser requerida, por consenso, pelo pai ou pela mãe ou conjuntamente pelo casal ou ser decretada pelo juiz. Nesse último caso, o magistrado terá o poder de definir os períodos de convivência com cada um deles.O texto diz ainda que o juiz poderá se basear em orientação técnico-profissional ou de equipe interdisciplinar.As regras valem também para pais que nunca tenham se casado no papel. A guarda compartilhada é definida no projeto como "o sistema de co-responsabilização do dever familiar em que os pais, em caso de ruptura conjugal ou da convivência, participam igualmente da guarda material dos filhos, bem como dos direitos e deveres emergentes do poder familiar".Além de criar regras e abrir a opção da guarda compartilhada, o projeto define também, no Código Civil, o que denomina de guarda unilateral.O texto diz que a guarda unilateral obriga aquele que não a detenha a supervisionar os interesses dos filhos.Prevê que a guarda será atribuída ao genitor que revele melhores condições para exercê-la e mais aptidão para proporcionar aos filhos afeto, saúde, segurança e educação.A relatora do projeto na Comissão de Seguridade Social, deputada Cida Diogo (PT-RJ), diz que a guarda compartilhada faz com que todas as decisões sobre os filhos, como escola e médico, sejam tomadas em conjunto pelo pai e pela mãe.Rodrigo Dias, fundador da ONG Movimento Pais para Sempre, comemorou a aprovação do projeto. "Já tenho a guarda compartilhada do meu filho há mais de dois anos, mas a aprovação do projeto é importante para permitir um regime de maior convivência entre pais e filhos. Não queremos que nenhum pai, a não ser que queira, seja obrigado a ser pai apenas nos finais de semana.""A guarda compartilhada já existe, mas hoje, se o guardião quer deixar o outro sem informações sobre o filho, ele pode. Esse tipo de coisa não poderá mais acontecer", diz Dias. (Maria Clara Cabral)
Fonte: Folha de São Paulo

sábado, 17 de maio de 2008

Mulher trabalha quase o triplo do homem em casa

A Folha de sábado, 17/5, em reportagem assinada por Claudia Rolli, divulga um estudo do Ibmec, cujo resultado todas nós já sabemos: mulheres com jornada semanal de 40 horas trabalham quase três vezes mais em serviços domésticos que os homens que cumprem a mesma jornada de trabalho. O levantamento foi feito a partir de dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), de 2006, do IBGE e levou em conta informações de 206,5 mil pessoas com renda familiar média de R$ 1.634.
A idade média dos chefes de família e seus parceiros é de 46 e 41 anos, respectivamente. Entre os homens, 85,06% têm jornada de 40 horas ou mais por semana. Na média, eles dedicam 5 horas semanais ao serviço doméstico. O percentual de mulheres que cumprem horário de 40 horas ou mais no tabalho é menor: 56.29%. Entretanto, elas dispensam 18 horas semanais para as tarefas domésticas.
´Comparando mulheres e homens, casados ou não, a diferença persiste. A mulher trabalha em casa, no mínimo, o dobro do que o homem. Dependendo da jornada no mercado de trabalho, essa diferença chega a três ou até quatro vezes`, diz Regina Madalozzo, pesquisadora do Ibmec e um das autoras do estudo.
No Sul do País, segundo o estudo, os homens dedicam mais tempo ao serviço doméstico do que nas demais regiões. ´Ele trabalha em casa uma hora a mais do que um homem da região Sudeste. Esse tempo chega a quase duas horas se comparado ao dispensado por um homem do Centro-Oeste ao trabalho doméstico.` Nesse caso, pesa a questão cultural;. ´A região tem peculiaridades em relação à colonização e costumes. No Sul. os homens têm o hábito de cozinhar mais`.
A redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, reivindicada pelas centrais sindicais não deve ter impacto nas desiguldaes, avalia a pesquisadora. ´Com o tempo, a tendência é que os homens façam mais horas extras para incrementar a renda e diminuam ainda mais o pouco tempo que dedicam ao trabalho doméstico.
Ou seja, esse tempo destinado ao trabalho doméstico bem que poderia ser melhor dividido entre homens e mulheres, mas, infelizmente, no Brasil essa realidade ainda é levada pouquíssimo à sério. O homem ainda é educado para ser o provedor e descansar quando chega em casa. Enquanto milhões mulheres chegam do trabalho e ainda vão cumprir o famoso ´terceiro expediente`em casa, seja preparando a janta, lavando roupa ou cuidando dos filhos. E mais, muitas mulheres não conseguem ´folga`da função nem nos finais de semana.
O resultado disso tudo não é nada animador: stress, irritação, desânimo, doenças cardíacas... em parte, fruto da falta de mobilização, já que grande parte de nós, mulheres, ainda não acordamos de verdade para essa realidade, fruto de uma cultura machista que continua a nos aprisionar e que tende a se perpetuar, soando muitas vezes como a ´lei natural das coisas`.
Nada mais oportuno do que colocar esse assunto na pauta, diante do projeto de redução da jornada do trabalho de 44 para 40 horas semanais. Ou será, que essa redução da jornada nos trará ainda mais tarefas domésticas?

quarta-feira, 14 de maio de 2008

O dia em que conheci o bicho-papão


por Cléria Bittar Bueno
Não, definitivamente não se trata de um conto de fadas para crianças; não é um livro para crianças, pelo menos na forma convencional. É um livro sobre um tema que atinge em cheio a dignidade do ser humano. É a história real de seu autor (ele prefere usar o pseudônimo de Ricardo Dabo), que em criança foi molestado sexualmente.
No momento em que o País todo se abala com as tristes histórias de vidas de crianças ceifadas por mãos impiedosas, relatos escabrosos aparecem e latejam em nossas mentes: que pensa e como age um molestador de crianças? Posso assegurar-lhes, caros leitores, que este livro é um libelo contra esta abominável prática que deixa seqüelas nas almas de muitos adultos sobreviventes do abuso, que se tornam seres sombrios, desconfiados, incrédulos diante de toda aproximação amorosa e desinteressada. O autor de "O dia em que conheci o bicho-papão" inicia seu relato expondo-nos todos os sintomas e mal-estares que torturam os que sofreram abuso sexual. Mais do que transtornos psicológicos, manias de perseguição, insônias, afastamento social, baixa auto-estima, sentimento constante de culpa e vergonha, problemas na esfera da sexualidade, percebemos que toda a dor do mundo está contida em sua narrativa. Esta em vários momentos me fizeram lembrar As dores do mundo, de Schoppenhauer (1788-1860): "Se é certo que um Deus fez este mundo, não queria eu ser esse Deus: as dores do mundo dilacerariam meu coração". A história, narrada em primeira pessoa, passa-se aqui em Franca, onde Ricardo nasceu e viveu até pouco tempo antes de mudar-se para Goiânia. Como epígrafe o livro traz duas frases: "Esquecer é permitir. Lembrar é combater".
Elas nos dizem tudo: as vítimas de abuso sexual não querem esquecer o passado, nem poderiam. Seria uma forma de negar-lhes o direito de questionar o porquê de tamanha barbaridade, de tamanha perversão, quando suas vidas ainda estavam se abrindo. Esquecer o passado seria a conivência com o abuso; há de lembrá-lo, dissecá-lo, para conhecer e combater esta monstruosidade.
Ler este livro é um exercício de voyeurismo, pois ficamos tão integrados às cenas que Dabo descreve que nos transportamos para lá, onde ocorrem os fatos. Todas as emoções, o pulsar de suas veias, seus poros latejantes, sua curiosidade infantil a respeito do sexo, tudo isto sentimos como se passasse conosco; assim como o asco, o estômago embrulhado, o mal-estar quando descreve a noite fatídica que seria, de certa forma, a protagonista de sua existência.
A estratégia do pedófilo é manter suas vítimas em sua 'posse', tal fossem um objeto inanimado. Falantes, gentis, 'carinhosos', preocupados, aproximam-se quase sempre oferecendo um universo colorido de possibilidades e de pequenas riquezas infantis: brinquedos, balas, gibis... E uma vez conquistada a confiança da criança, dão o bote definitivo. A memória registra e nunca mais se livra do ocorrido.
Serviço:
Título - O dia em que conheci o bicho-papão
Autor - Ricardo Dabo
Editora - Kelps
Preço - R$ 15

Liberdade de expressão - defenda a sua!

Acompanho o noticiário diário por dever de ofício e obviamente vi a interdição da Justiça às passeatas em favor da descriminalização da maconha no país.
Pensei, por que não passeatas a favor da liberdade de expressão? De expressar a indignação com o Judiciário: o aborto ilegal está liberado há muito tempo, já o legal, não; as plantações de cannabis, facilmente rastreadas por satélites nem tão sofisticados são permitidas, enquanto o uso do produto final, supostamente, não; a venda de psicotrópicos (antidepressivos, ansiolíticos e outros) sem receita é proibida, mas a prática continua no varejo farmacêutico em todo o país e gera dependentes químicos tanto quanto o uso de drogas ilegais.
Enfim, só para ficar em uns poucos exemplos. E você, defenderia a liberdade de expressão em nome do quê?
Viviane Mottin é jornalista e psicanalista